quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ainda que existam abundantes notícias de casos anteriores, é a partir de 1945 quando a desaparição reiterada de barcos e aviões na zona marítima conhecida como “Triângulo das Bermudas” induz a pensar que algo misterioso e mortal está ocorrendo ali. Autoridades militares e pesquisadores do insólito procuraram uma explicação a tantas perdas inexplicadas: restos de máquinas procedentes de civilizações desaparecidas, perturbações electromagnéticas, acções devidas a seres extraterrestres…
Tudo pode ser, enquanto não seja demonstrado o contrário.
O triângulo das Bermudas é uma zona marítima situada frente a costa sudeste dos Estados Unidos, no Atlântico ocidental. Se estende desde as ilhas Bermudas, pelo morte, para o sul da Flórida, no leste, até um ponto situado através das Bahamas, mais além e Porto Rico, a 40 graus de longitude oeste, para logo regressar novamente para as Bermudas.
Esta situação está geralmente aceita entre todos os pesquisadores que mais aprofundaram no assunto. Somente algumas pequenas diferenças são dadas entre alguns estudiosos do Triângulo. Assim, Ivan Sanderson chegou à conclusão de que a zona tinha forma de elipse, e de existiam mais outras doze zonas, repartidas por todo o mundo a intervalos regulares. Spencer pensa que a zona mais perigosa do planeta segue a plataforma continental. Partindo de um ponto frente a Virgínia, se dirige para o sul, ao longo da costa dos Estados Unidos, para terminar ao redor do golfo do México passando pela Flórida.
UMA ZONA DE DESASTRES INEXPLIÁVEIS.
Como podemos observar são pequenas diferenças. Mas a mais curiosa das declarações sobre a situação do Triângulo das Bermudas é a que nos dá, ainda que fique claro que não acreditamos em sua existência, a guarda costeira dos Estados Unidos. Em um impresso, registro 5270, do sétimo distrito do serviço, nos informa: “O Triângulo das Bermudas, ou do Diabo, é uma zona imaginária, situada frente a costa atlântica dos Estados Unidos, que é conhecida pela alta proporção de perdas inexplicáveis de barcos, pequenos botes e aviões. Os vértices geralmente aceitos do Triângulo são: as ilhas Bermudas, Miami (Flórida) e San Juan (Porto Rico) ”.
Os meteorologistas se referem com frequência ao “Triângulo do Diabo” como uma área limitada por linhas que vão desde as Bermudas até Nova York, pelo norte, e pelo sul até as ilhas Virgens, ondulando à maneira de leque para o oeste e abrangendo 75 graus de latitude oeste.
A HISTÓRIA COMEÇOU HÁ QUINHENTOS ANOS.
Quase todas as desaparições de barcos dentro do Triângulo das Bermudas, desde que temos notícias, vêm sendo produzidas em uma região do oceano Atlântico ocidental chamado, há muitos anos, Mar dos Sargaços ou, como já dissemos, o “Mar dos barcos perdidos”. Descoberto pelos primeiros marinheiros espanhóis e portugueses que atravessaram o oceano há quinhentos anos, deriva seu nome da alga marinha Sargassum.
A característica mais notável desta região é a imobilidade de suas águas e presença de uma alga, a sargassum, que marca os limites deste mar dentro do oceano, flutuando em grandes massas. Se trata de um mar quase estancado e desprovido de correntes, excepto em seus limites com a corrente do golfo. Se estende uns 320 km ao norte das Grandes Antilhas até a Flórida e a costa atlântica. Permanece a uns 300 km, de distância da terra e se desloca para o cabo Hatteras, seguindo logo uma direcção para África e a península Ibérica, para regressar finalmente para América.
MULTIPLICAM-SE AS DESAPARIÇÕES.
·         Em Junho de 1931 desaparece o primeiro avião, ”Curtis Robin”, frente a Palm Beach, Flórida, com dois tripulantes.
·         Em Dezembro de1935, o avião “Wright Whlwing”, entre La Habana e a ilha dos Pinos, com três homens a bordo.
·         Entre1938 e 1944 desapareceram o cargueiro “ Anglo Australian”, ao sudeste das Açores; o “Glória Colite”, a 200 milhas ao sul de Mobile; o “Proteus”, entre Santo Tomás e Norfolk, Virgínia; o “Nereus”, também na mesma rota; o “Mahukona”, 600 milhas ao leste de Jacksonville; o “Paulus”, navio de passageiro, entre as Índias ocidentais e Halifax; o “Martin Mariner”, 150 milhas ao sul de Norfolk,e o “Rubicon”, cargueiro abandonado frente a costa da Flórida.

OS AVIÕES TAMBÉM CAEM.
·         Durante o ano de 1945 desapareceram um B-25 entre Bermudas e Açores e o avião PB-4YW entre Miami e Bahamas, com 15 tripulantes. Em 5 de Dezembro deste ano desapareceram cinco bombardeiros torpedeiro TBM Avenger (vôo 19), a 225 milhas ao nordeste de Fort Lauderdale, na Flórida, com 15 tripulantes.
·         Também desapareceu no mesmo dia o hidroavião “Martim Mariner”, que saiu em auxilio do vôo 19, no mesmo ponto que os anteriores. Em 27 de Dezembro do mesmo ano desapareceram as escunas “Voyager LL” e “Valmore”, diante da Costa da Carolina do Norte. Desde este ano e até 1967, podem ser contabilizadas mais umas trinta desaparições.
·         Em 1968 desapareceram os cargueiros “Elisabeth”, na passagem dos Ventos, e o “Ithaca Island”, entre Norfolk e Inglaterra.
·         No ano de 1969 desapareceram um avião Cessna 172, nas proximidades das Bahamas, e os barcos “Teignmouth Electro”, a 700 milhas ao oeste das Açores, e mais quatro iates.
·         Em 1971 um avião Phanton 11 F4 reactor, a 85 milhas de Miami; o cargueiro “Caribe”, da Colômbia à República Dominicana; o pesqueiro “Lucky Edur”, frente a costa do sul de Jersey, com 10 tripulantes a bordo, e aproximadamente sete mergulhadores que exploravam a zona.
EXISTEM EXPLICAÇÕES PARA O ENIGMA?
Depois de ter realizado, durante muitos anos, profundos estudos sobre os casos de desaparições, Spencer acredita que a única explicação possível sobre a desaparição de barcos e aviões com seus respectivos passageiros é que tenham sido e são capturados fisicamente dos mares e céus pelos quais viajam. “Se bem a desaparição total dos navios de mais de 175 metros de comprimento, em mares totalmente em calma e a 80 km da costa, o mesmo que os aviões a ponto de aterrizar, não pode acontecer conforme as normas terrestres e, no entanto, estão acontecendo, somos obrigados a concluir que os estão levando do planeta”. E não somente Spencer pensa nesta possibilidade, mas vários persistentes pesquisadores do Triângulo concordam igualmente que, se não existe uma explicação terrestre sobre as desaparições, a explicação poderá poderia ser extraterrestre.
PERTURBAÇÕES ELETROMAGNÉTICAS.
M. K. Jessup, autor de considerável preparação científica por ser astrónomo e especialista em selenografia, opinou em seu livro “O caso dos OVNIS”, “que o desenvolvimento de nossa era aeronáutica é de grande interesse para nossos vizinhos do espaço” e que por isso é explicado o crescente número de aparições de OVNIS concentrados na zona do Triângulo, situada frente a costa da Flórida e ao redor de Cabo Kennedy.
Segundo as teorias de M.K. Jessup, a resposta ao mistério do Triângulo das Bermudas “é encontrada talvez nas aberrações de controlos electromagnéticos, que são evidenciados somente em algumas épocas, quando são activadas por casualidade ou de propósito, e parece possível que a presença dos OVNIS dá crédito às cargas de energia requeridas”.
Quando ao lugar de procedência destas naves, nada se sabe, mas alguns tóricos opinam que a fonte de visitas poderia ser encontrada mais próxima da Terra, talvez em seus próprios oceanos.
HOUVE MUITOS NOÉS.
De certo modo conhecemos inúmeros nomes de personagens que, igual a Noé do Dilúvio bíblico, conseguiram escapar à catástrofe: Deucalião, herói da mitologia grega, que repovoou a Terra esparramando pedras; Baisbata, o sobrevivente da inundação da qual se fala em Mahabharata da Índia; Ut-Napishtim, da lenda babitônica; Yima, do Irã; Coxcox, do antigo Mexico; Tezpi, também mexicano, que dispôs de um grande navio onde carregou grãos e animais; Bochica, da lenda colombiana, que fez um buraco na terra para livrar-se das águas; Tamandaré, o herói guarani da América do Sul, e muitos outros mais.
Ante uma lenda tão enraizada e viva em todo o mundo, acerca das mudanças na Terra, o clima e os níveis de água, algo faz supor que realmente um fato parecido ocorreu há alguns milhões de anos.
RESTOS DA ATLÂNTIDA?
Como é natural, cada vez que são descobertas ruínas submarinas submersas no Atlântico pensa-se imediatamente, na possibilidade de identifica-las com o continente submerso da Atlântica.
Foi Platão quem pela primeira vez, em seus diálogos “Timeu e Critias”, descreveu muito detalhadamente o “continente perdido”, graças à informação recebida por Solón através dos sacerdotes egípcios de Sais. “Naqueles dias (aproximadamente onze mil e quinhentos anos) o Atlântico era navegável e havia uma ilha situada frente aos estreitos chamados de Héracles; a ilha era maior que a Líbia e a Ásia juntas, e era a rota para outras ilhas, e dela podia passar através de todo o continente situado em direcção oposta e que rodeia o verdadeiro oceano; porque este mar que é encontrado dentro dos estreitos de Héracles (o Mediterrâneo) é somente um porto, com uma entrada estreita, mas o outro é o verdadeiro mar e a terra que o rodeia poderia ser chamada um continente”.
Ainda que ao longo dos anos a Atlântida foi “situada” em diversos lugares, a partir dos descobrimentos de 1968, na zona já mencionada das Bimini e outras, a hipótese de que estivesse localizada na área do Triângulo das Bermudas foi discutida entre os pesquisadores e exploradores.
OS EFEITOS DOS CAMPOS MAGNÉTICOS E DO MATERIAL RADIATIVO.
O efeito de tais raios sobre qualquer avião situado dentro de seu campo magnético seria um curto-circuito de todos os instrumentos eléctricos. Cortado o sistema de ignição, o avião perderia instantaneamente toda sustentação e entraria em um plano sobre o qual o piloto não teria controlo algum, já que também a assistência eléctrica das mãos estaria anulada. Este corte instantâneo de energia explicaria porque nenhum piloto pode enviar um SOS, ainda que alguns estiveram em contacto directo com os controladores de terra. As supostas explosões de aviões no ar poderiam ser explicadas pelo arco que formariam os circuitos eléctricos cortados, colocando em ignição os vapores gasosos ao entrar em contacto com o campo magnético.
O efeito do fenómeno sobre os barcos seria algo diferente. Os blocos de material radiactivo romperiam a superfície com a velocidade de uma bomba de hidrogénio, incrustando-se nos cascos de aço dos navios como a cabeça magnética de um torpedo e com os mesmos efeitos devastadores. E concebível que uma embarcação alcançada por semelhante força atómica seja completamente desintegrada, o que explicaria porque não são encontrados sobreviventes nem restos flutuantes.
UM MISTÉRIO PARA A CIÊNCIA.
Qualquer que seja a causa das desaparições e anomalias ocorridas no tristemente famoso Triângulo, continua sendo um mistério para a ciência. Todas as hipóteses que apontamos não são mais que explicações, mais ou menos possíveis ao ocorrido.
O único certo e comum nas centenas de desaparições é que os barcos e aviões desapareceram por completo ou que os barcos tenham sido encontrados sem suas tripulações.
O triângulo das Bermudas nos faz pensar em terras perdidas, em civilizações submersas e em seres que visitaram a Terra durante séculos, vindo do espaço externo ou interno, e cuja origem e propósitos são desconhecidos.
Talvez dentro de alguns anos possamos encontrar respostas aos mistérios que o planeta Terra nos proporciona. Vivemos em um mundo no qual as linhas da ciência e a para ciência começam a ser unidas para tratar de explicar inumeráveis enigmas que nos são propostos, recordando o pensamento de Haldane: “O universo não é semente mais estranho do que o imaginamos, mas mais estranho do que podemos imaginar”.